Expressões estrangeiras se tornaram comuns no setor, mas nem sempre são necessárias; em muitos casos, existem palavras em português para definir a mesma atividade
Quem trabalha ou frequenta o mercado de eventos no Brasil provavelmente já se deparou com uma combinação cada vez mais comum: fotógrafo e videomaker. Enquanto a primeira palavra descreve uma profissão em português, a segunda vem do inglês e passou a fazer parte do vocabulário de casamentos, festas e produções audiovisuais.
O uso de termos estrangeiros não é novidade no mercado de trabalho. Expressões como "marketing", "design", "briefing" e "feedback", por exemplo, foram incorporadas ao cotidiano profissional de diferentes áreas.
No setor de eventos, porém, algumas dessas palavras levantam uma discussão: quando existe um termo equivalente em português, é necessário usar a expressão em inglês?
A resposta depende da atividade desempenhada.
De maneira geral, cinegrafista é o profissional responsável pela operação de uma câmera de vídeo e pela captação de imagens. Já "videomaker" é um termo mais amplo, usado para profissionais que podem atuar em diferentes etapas da produção de vídeos, desde a captação até a edição e criação do conteúdo.
No mercado de eventos, entretanto, os termos muitas vezes são utilizados de forma sobreposta.
Um profissional contratado para registrar um casamento pode ser chamado de cinegrafista, videomaker, filmmaker ou simplesmente profissional de vídeo, dependendo da empresa, do serviço oferecido e da forma como o mercado apresenta aquele trabalho.
Por isso, antes de escolher o nome, é importante entender o que efetivamente será entregue.
O crescimento dos termos em inglês está relacionado, entre outros fatores, à influência da indústria audiovisual internacional e ao próprio vocabulário utilizado nas redes sociais e no mercado de produção de conteúdo.
A popularização de plataformas digitais também trouxe expressões estrangeiras para atividades que antes eram descritas de maneira mais tradicional.
No setor de eventos, isso pode ser percebido em palavras como "story maker", "content creator", "videomaker", "filmmaker" e outras expressões que passaram a aparecer em contratos, anúncios e redes sociais.
O uso dessas palavras não significa necessariamente que o serviço tenha se tornado diferente. Em alguns casos, trata-se apenas de uma mudança na maneira de apresentar uma atividade que já existia.
Não necessariamente.
O nome utilizado para uma profissão não determina, por si só, a qualidade do trabalho realizado.
Um profissional pode se apresentar como videomaker e realizar uma produção audiovisual completa. Outro pode utilizar o mesmo termo para descrever um serviço focado exclusivamente em captação de vídeos para redes sociais.
Da mesma maneira, um cinegrafista pode trabalhar com equipamentos sofisticados, linguagem cinematográfica e processos complexos de pós-produção.
O que diferencia os serviços são a experiência, a estrutura, a proposta, os equipamentos, o processo de produção e, principalmente, aquilo que está previsto na contratação.
Trocar o nome da profissão não substitui a necessidade de explicar o serviço.
É justamente nesse ponto que aparece a discussão sobre os chamados anglicismos — palavras ou expressões de origem inglesa incorporadas ao uso de outra língua.
Se a intenção é comunicar de maneira simples e direta, muitas vezes "cinegrafista" ou "profissional de vídeo" pode ser suficiente para que o cliente entenda imediatamente qual é a função daquele fornecedor.
O mesmo vale para outras áreas.
Quando um termo estrangeiro acrescenta precisão ou identifica uma atividade específica, seu uso pode ser útil. Quando apenas substitui uma palavra conhecida em português sem acrescentar informação, a escolha pode ser mais uma questão de linguagem e posicionamento de mercado.
Para quem está organizando um casamento ou outro evento, mais importante do que o nome utilizado no anúncio é saber qual serviço será prestado.
O profissional vai fazer apenas a captação das imagens? Também fará edição? Haverá entrega de vídeo completo? Serão produzidos conteúdos verticais para redes sociais? O material será entregue no mesmo dia? Haverá cobertura de bastidores?
Essas perguntas ajudam muito mais na escolha do fornecedor do que o título utilizado para definir a profissão.
Um contrato claro deve especificar o serviço, os horários de cobertura, os produtos entregues e as condições combinadas.
O português sempre incorporou palavras de outros idiomas. Esse processo faz parte da evolução natural das línguas.
Novas tecnologias, profissões e comportamentos frequentemente chegam acompanhados de novos termos. Com o tempo, algumas expressões estrangeiras desaparecem, outras são adaptadas e algumas permanecem no vocabulário.
A discussão sobre "videomaker" e "cinegrafista", portanto, não é apenas uma questão de gostar ou não de palavras em inglês.
Também envolve a forma como o mercado se comunica com seus clientes.
Se o objetivo é tornar a informação mais acessível, palavras conhecidas podem facilitar a compreensão. Se o termo estrangeiro define uma função específica que não possui uma correspondência exata em português, seu uso pode ajudar a explicar a atividade.
As duas formas podem aparecer no mercado, mas elas não precisam ser tratadas automaticamente como sinônimos perfeitos.
Fotógrafo é o profissional que trabalha com a produção de imagens fotográficas.
Cinegrafista está tradicionalmente relacionado à captação de imagens em movimento.
Videomaker, por sua vez, pode ser utilizado de maneira mais ampla para identificar quem produz vídeos, incluindo diferentes etapas do processo.
Por isso, a melhor escolha depende do serviço que está sendo oferecido e da maneira como o profissional deseja apresentar sua atuação.
No fim, uma palavra em inglês não torna automaticamente um serviço mais moderno, assim como uma palavra em português não define sozinha a qualidade de um profissional.
Mais importante do que o nome é deixar claro o que aquele profissional faz, como trabalha e o que o cliente receberá depois do evento.
W. Patrick J. de S. C. Nicácio
Setembro de 2026
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